A Dama do Metrô

13.12.06

Sentir a pulsação forte da vida empurrando-a ao desvario do prazer. Seu instinto a conduzia sempre, confiava nele como o gato confiava na comida que comia. E nesse instante seu instinto lhe dizia que não relaxasse na procura, que um dia, sem que ao menos esperasse cruzaria de novo com Luciano.
Empurrada pelo povo, se postou no corredor ao lado de um senhor de idade e de uma moça mascando chiclete. Observava a fragilidade da vida naqueles dois, naquelas duas pessoas, a diferença de gerações. Quem poderia imaginar quem um dia uma mulher se portaria como aquela moça? Metade do cabelo raspado, pintado de várias cores, roupas toda preta, com uma blusa parecendo teia de aranha cobrindo seu colo formoso onde se podia imaginar seios cheios de prazer, saia bem curta, meias pretas rendadas cobriam suas pernas, o calçado de salto plataforma deixando-a mais alta, seu rosto pintado com cores fortes de tonalidades preta fazia com que a olhassem com estranheza, o que nada a preocupava. Em outras épocas seria execrada pela sociedade, mas hoje...
Já o senhor, com seus sessenta anos talvez, trajando calça de brim cinza, camisa de mangas curtas, denotava o radicalismo dos costumes antigos, sapato lustroso, discreto compunha o contraste de gerações. Nada nele parecia ser além do seu gosto ou de como fora conduzido durante todos os seus anos de vida, a se vestir, dentro do padrão da sua época.

Malu soltou os nervos que, relaxados se acomodaram uns aos outros. O que poderia fazer para que os instantes tornassem reais, menos fantasiosos? Teria apenas que agir dentro do padrão da normalidade em que a sociedade aparente ditava as ordens. Agia aos olhos alheios trajando toda a burguesia acumulada desde o berço. Sua intransigência levava-a ousar momentos que nunca pensava ousar. Num movimento despreocupado, jogou os cabelos para trás, sentou em frente ao micro e se pôs a trabalhar, colocando de lado suas fantasias e dúvidas sexuais.

14.12.06

Deitada, olhava o teto branco. A fumaça do cigarro se evaporava no ambiente quente do quarto. Soltou um suspiro baixo, sendo ouvido apenas por seu coração que batia lentamente angustiado.
Apagou o cigarro no cinzeiro em cima do criado mudo inundado de copos, maço de cigarros, isqueiro, garrafas de uísque, e se virou para o lado do companheiro. Valdo dormia respirando sossego, pouco se importando com ela.
Malu queimava de desejo na manhã que aos poucos se punha entre as persianas revelando os raios de sol. Num único gesto leve, descobriu o corpo do amante. Apesar da idade, talvez mais de sessenta anos, Valdo tinha um físico desejável. A principio Malu se encantou com ele. Vendo-o nu sob seus olhos, ficou perguntando a si mesma o que tinha de tão especial? Talvez a penugem branca do peito descendo pela barriga ainda rígida e inundando a virilidade que, neste momento, imóvel trazia um certo aspecto de mistério.
Brincando sem um motivo aparente, Malu segurou entre seus dedos finos e longos, de unhas pintadas, bem cuidadas, o mistério que a encantava. Como não demonstrasse nenhum impulso elétrico, levou-o à boca e levemente comprimiu os dentes. Nada aconteceu. Sem pensar nas conseqüências, comprimiu com mais força, até sentir os dentes penetrar na carne mole. Valdo despertou com um grito:
- Merda! O que você está fazendo? Quer me capar?
E correu para o banheiro com a mão entre as pernas. Abriu o chuveiro e deixou a água fria aliviar a dor na tentativa em estancar o sangue.
- Filha da puta. Está pensando o que? – gritou.
Não ouviu resposta.
Sentado na banheira, bem embaixo do chuveiro, não sentindo mais dores, recebeu Malu que nua, entrou e sentou em seu colo.
- Como você é louca, sussurrou no ouvido de Malu.
E mais uma vez, se entregaram ao impulso que os unia: o prazer de sentir o desejo trespassando suas carnes unidas.

20.12.06

Sozinha, perdida no meio da multidão, ficou sem saber como agir e para onde ir. Os pés começavam a doer, não devia ter vindo de sapato alto, pensou abrindo a porta da cozinha. Não tinha ninguém, apenas a empregada que lavava a louça suja. Serviu-se de um uísque bem generoso e voltou para a sala. Não conhecia ninguém, aliás tinhas umas pessoas que viu de relance na televisão, no cinema, mas nada que se dissesse: eu conheço. Procurou com os olhos para ver se via Valdo, mas este assim que chegaram, deixou-a plantada no meio da sala e, subiu a escada acompanhada de uma loira platinada.
Tinha sido avisada, não podia reclamar:
- Na festa cada um cuida de si, certo?
- Certo. – respondeu concordando.
Certo, é isso mesmo, pensou. Aceitou o convite pois seu relacionamento com Valdo estava na linha reta, aliás já tinha prolongando muito. Vira somente uma duas vezes Luciano e, foi em momentos que não dava para falar com ele. Soubera que freqüentava esse tipo de festa, portanto nada mais justo estar aqui. O que a deixou assim meio ressabiada foi ser obrigada a fazer o exame de HIV, mas sem ele não poderia estar aqui, pois fazia parte da regra do jogo, era o convite para ser aceita. Relutou um pouco a principio, mas quem não fica com medo ao fazer exame desse tipo? Felizmente seu exame dera negativo, não tinha a famigerada doença, portanto agora era só se divertir.
Ao colocar o copo em cima da mesa, reparou que um senhor a olhava descaradamente. Disfarçou para que não percebesse que ela tinha percebido o seu olhar. Pegou outro uísque que o garçom lhe oferecia. Bom, o jeito é circular no meio desse pessoal, ficar parada não vai adiantar nada, disse mentalmente.
De repente surge cambaleando uma moça nua no alto da escada. Todos voltaram à atenção para ela com medo de rolar escada abaixo. Nisso, vindo do fundo do corredor apareceu um rapaz, também nu, e a agarrou, arrastando-a para um dos quartos. Todos voltaram suas atenções para si mesmos, isto é, voltaram as suas conversas.
A sala não era muito grande, não estava completamente cheia, se via grupinhos aqui e ali, ou pessoas sozinhas perambulando sem saber o que fazer, como ela. Talvez alguém a notando e se interessando por ela, ou ela se interessando por alguém poderia sair daquela pasmaceira em que se encontrava. Porém não tinha ninguém em que pudesse se interessar. E quem ela procurava não estava aqui ou, se estava, deveria estar lá em cima num dos quartos. Por isso, resolveu subir. Quando estava no meio da escada, notou os olhares sobre ela. Entendeu, ninguém subia se não fosse acompanhado.
- Bom agora que já subi a metade não vou voltar. – pensou.
Assim que pisou o último degrau, deparou com um imenso corredor com portas dos dois lados. E agora? O que faria? Como se não quisesse nada, despreocupada, abrir a primeira porta, afinal era marinheiro de primeira viagem, ninguém lhe dera explicação nenhuma. Assim sendo, abriu a porta a sua esquerda. Bem devagar, e, o que viu deixou-a tremula e umedecida.

21.12.06

O quarto na meia luz não se conseguia ver os detalhes. O que Malu viu foi três pessoas num furor sacudindo a cama que rangia a música de corpos em prazeres nunca imaginados. Não sabia se entrava ou se voltava. Por segundos ficou com os olhos presos naquela massa escura que gemia embolada pela penumbra do quarto.
- Não quer participar? – ouviu alguém dizer a suas costas.
Era Luciano. Pega de surpresa, se assustou, pois ele estava nu, e trazia uma garrafa de uísque e quatro copos.
- Eu... Não sei... – gaguejou
- Ora vamos, você está aqui para isso, não é?
- Bem... Na verdade é que...
- Então, entre.
E com o corpo foi empurrando Malu para dentro do quarto. Não teve tempo de esboçar nenhum gesto de recusa. Deixou-se levar. Foi se afastando até que suas pernas encostaram-se à borda da cama. Sem pressa, Luciano depositou os copos no chão, abriu a garrafa de uísque e encheu dois copos, ofereceu um a ela. Com a respiração ofegante, Malu sentou na cama e aceitou o uísque. Luciano sentou ao seu lado.
- Beba devagar, não precisa de pressa, temos a noite toda.
Malu olhou para os três atrás deles, como se dissesse:
- E eles?
- Não liga, não ligam para nós.
- Mas você estava com eles?
- Usou a expressão certa: estava, agora não estou mais. São meus amigos.
- Os três homens?
- Não, dois homens e uma mulher.
- Ah! Sei...
Luciano se achegou mais para perto dela. Malu tremia, queria e evitava em tocá-lo. Talvez por sua nudez assim de repente, tenha a constrangido. Tomou mais uma boa dose de uísque. A bebida desceu esquentando-a. Sentiu a tensão se relaxar. Envolveu-se numa ternura sem explicação quando os lábios vermelhos de Luciano tocaram os seus. Os seios queriam furar a blusa espetando o peito nu de Luciano. As mãos deles subiram por suas coxas, encontraram resistência que logo caíram em seus dedos conhecedor de grutas e cavernas.
Seus corpos se estiraram ao lado dos outros. Com a paciência que lhe cabia, Luciano foi tirando peça por peça e beijando seu corpo a cada peça que era jogada longe. Sentado em cima dela,
apreciava a pele amorenada num arfar tepido de satisfação. Segurou o prazer para não molhar, ainda, a macieza da pele que tanto desejara. Malu saboreava a visão fálica apontada para seu rosto, fez menção de se mexer, porém, resolveu ficar imóvel e ver até onde Luciano ousaria.

22.12.06

Luciano beijou seus dois olhos, o nariz, os lábios, e transpondo cada fibra pulsante de suas células, desceu numa vagarosa lentidão que a deixava zonza. Parou os lábios úmidos no umbigo querendo furá-la com a ponta grossa da língua. Do seu peito, por entre os seios, fez uma carreira de pó até o monte Canaveral, e, foi lambendo em sentido contrário ao corpo dela, aspirando numa delicia inusitada.
Malu excitada tremia ao ver passar por seus olhos o pescoço de pomo de Adão saliente, o peito nu de pelos, a barriga amorenada encontrando com sua boca numa variante ousada. Malu chegou por momentos perder a noção do tempo levada ao desvario.
- Agora é a sua a vez – disse Luciano.
Malu não se fez de rogada. Começando pela testa larga, passando pelo nariz, queixo, pescoço, peito, barriga e no túmido poço do prazer, caprichou com a devida intenção. E como ele, Malu começou lamber bem devagar a carreira branca proporcionando aos dois longos gemidos de quero mais. Pararam um pouco saciando a sede num bom copo de uísque gelado.
Nisso, sem que esperasse alguma reação, foi beijada na boca pela a mulher que estava com os dois rapazes, e, ao mesmo tempo sentiu outras bocas beijando seu corpo. Nisso, Malu caiu num estado de sonolência incontrolável. A partir desse momento não conseguia distinguir o que se passava diante de seus olhos, via apenas uma massa de corpos que rolava de um lado para outro. Em certos momentos pensou ver Luciano beijando um dos rapazes, e da outra vez, pareceu que a mulher não era mulher...

Malu acordou com o sol em seus olhos.

26.12.06

O sol batia na janela quando Malu acordou. Luciano deitado de borco, abraçado a perna de Malu, com a cabeça debaixo da coxa esquerda, parecia não querer acordar. Malu retirou a perna de cima da cabeça loira, e com o pé, sacudiu Luciano, que ao se virar para o lado esquerdo, caiu da cama. Sentada, divisou o olhar pelo quarto. Os dois rapazes dormiam um em cada poltrona, a mulher... bem, o travesti sentado no chão com a costa apoiada à parede, olhava para ela com cara de tédio. Sorriu ao vê-la acordada. Malu desviou os olhos.
Escorregou para a beirada da cama. Luciano ainda dormia no chão frio do assoalho.
- Acorda, Luciano, vamos acorda.
Sonolento, bocejando álcool fétido, o bafo foi de encontro ao rosto dela, obrigando-a a fazer uma careta de nojo.
- O que foi?
- Não vai levantar, não?
- Vou... espera, quero tomar um banho.
- Também quero tomar banho.
Entraram os dois no banheiro fechando a porta.
- Então, você quer saber como começou tudo isso?
- Sim, quero.
- Bom, meu pai é um cara demasiado liberal.
- Eu sei disso.
- Pois é, sei que você sabe. Foi ele que me trouxe para cá. Venho observando os dois há tempos. Desde o primeiro dia que você pisou o consultório do velho.
- Como assim?
- Ao lado do consultório tem uma sala pequena, onde meu pai às vezes observa os pacientes. Deixa-os por minutos sozinhos e por intermédio do espelho, aquele grande do lado esquerdo, observa o comportamento dos pacientes.
- E você...
- Sim, eu observava suas transas.
- Mas isso é um despudor inconcebível!
- Pode não ser ético.
- Seu cretino, como odeio você...
- Como você pode me odiar se me desejava.
- Quem lhe disse isso?
- Meu pai.
- Seu pai...
- Sim!
- Mas eu nada revelei a ele.
- Lembre-se que ele é psicanalista e dos melhores, apesar desse seu liberalismo às vezes desacerbado.
- Canalha.
- Quem? Eu ou meu pai?
- Os dois. E assim, os dois se divertiam as minhas custas.
- Garanto que sempre a desejei. Meu pai que veio com o plano de observá-los, pois ele se excita sabendo ser observado, entende?
- Vocês dois são mais paranóicos que eu.
- Bom, o caso é o seguinte: consegui e você conseguiu o que queria. Estarmos os dois juntos. E o que é melhor, dentro da banheira.
- Concordo. Mas depois dessa creio que não vou querer te ver mais e nem seu pai, por um bom tempo.
- Não faz isso, sei que gostou de mim como gostei de você.
- Veremos, veremos – respondeu Malu saindo da banheira.

27.12.06

Malu sobressaltou-se com o toque do telefone. Ainda não se acostumara com ele. Só ela com seus pensamentos na pequena cabine de vidro. Atendeu:
- Alô!
- Alô!
- Pois não, querido.
- Desculpe, pensei que quem atendia fosse homem.
- Não meu bem, aqui é para os hetero.
- A sei.
- Você quer homem? Gay?
- Sim.
- Um minuto vou ver se consigo transferir.
Malu se afastou um pouco o fone do ouvido, mudou o tom de voz e voltou a atender alterando o tom da voz.
- Pois não...
- Oi, tudo bem?
- Tudo bem.
- Puxa! Gamei na tua voz. Bem sensual.
- E aí vamos brincar? O que você deseja?
- Bom, não sei, que tal me dizer o teu nome.
- Nome?
- Sim, por que? Não pode?
- Pode sim. Qual nome você gosta?
- Um bem forte, sexual, másculo.
- Que tal Jaimão.
- Jaimão?
- É.
- Ta aí, gostei Jaimão.
- E você, tem nome?
- Tenho.
- E qual é?
- Jaiminho.
- Jaiminho?
- Sim, não gostou?
- Gostei, bem feminino, bem doce...
- Você faz tudo, Jaimão?
- Faço o que você quiser, Jaiminho.
Malu se esforçava para não rir.
- Jaimão, você parece que está gripado?
- Um pouco Jaiminho.
- Que pena!
- Por que pena?
- Estava afim de um boquete.
- Podemos fazer, você quer?
- Quero.
- Então espere vou abrir a braguilha...
- Quero que você faça em mim.
- Ok, vamos lá então. Fale-me como está vestido.
- Jaimão, não vai dar.
- Porque?
- Você está gripado.
- Mas não vamos nos tocarmos, será tudo pelo telefone.
- Não, sinto muito, não quero pegar AIDS.
Desligou.
Malu ficou por um tempo com ar de abobada. Colocou o fone no gancho e caiu na gargalhada. As outras meninas olhavam para ela sem entender o que tinha acontecido.
Estava no tele-sexo há um mês por questão de dinheiro, não tinha intenção de continuar muito tempo nisso, não.

28.12.06

Malu sorriu de leve, quase imperceptivelmente. Abaixou os olhos. Pela segunda vez nesta semana, o rapaz olhava para ela e sorria num jeito audacioso, até maroto. Encostado a porta, lendo o livro, de vez em quando erguia a cabeça e com os olhos procurava por ela. Malu vinha observando-o, bem apresentável, com um uniforme discreto, mas que denunciava a profissão, bem, era o que ela deduzia que fosse: garçom. Os cabelos preto, cortado quase rente, nariz adunco, meio voltado para baixo, olhos pretos, de um meigo brilho revelando o sorriso da alma, boca de lábios finos, não delicados, cobertos por um bigode ralo, queixo proeminente, compunha uma face bonita, atraente.
Só o notara porque sua mente dispersa vagueava entre as pessoas sem se fixar num ponto. Foi então, que ao erguer o olhar, reparou nos olhos pretos, de olhar meigo a olhar para ela. Como ele sorria de leve, Malu retribuiu o sorriso. E a partir desse dia, numa coincidência cinematográfica, pegavam o mesmo vagão do metrô. Isto é, quando ela entrava no trem ele já estava lá, talvez angustiado sem saber se ela veria ou não. Malu notava ligeira mudança no aspecto dele ao vê-la. Parecia que uma luz iluminava seu rosto bonito, devolvendo, no sorriso suave, a luz que ela lhe transmitia. Malu sentia isso, mas não conseguia explicar o porque.
No terceiro ou no quarto dia, não lembrava, sucedeu o que tinha ou o que deveria suceder. Se perguntasse a ambos, como fora nenhum dos dois saberia dizer, principalmente com pormenores, como chegaram à intimidade. Malu não ousava se explicar, não queria quebrar a magia romântica, apesar de não ser romântica e, sim, prática. Ele, Brunildo, também não queria entrar em detalhes, pois o que acontecera era para ser aceito e nada mais, o inexplicado tornava a relação mais excitante, dizia ele, toda vez que Malu tocava no assunto.
Beijando seus seios formosos como a polpa de um figo rosado, retrucou:
- Então estamos conversados, não falemos mais nisso.

 

 

 

Osvaldo Pastorelli: Poeta e artista plástico, nascido em Rio Claro, no interior de São Paulo, hoje vive na Capital, onde se casou e nasceu sua maior obra-prima: Caroline. Nos anos 80 participou do concurso da Biblioteca Afonso Schimitt, sendo premiado em segundo lugar com a poema "Balada da Forma". A partir daí nunca mais parou de escrever. Desde 1998 convive com a poesia em algumas listas de discussão da Internet. Participou de várias antologias, e atualmente com mais dois amigos poetas: Carlos Eduardo Savasini e A. Bittar, vem coordenando “Rascunhos Poéticos”, aos sábados na Casa das Rosas – Espaço Haroldo Campos; tem contos e crônicas publicado no site Anjos de Prata e no Recanto das Letras e um Fotoblog

 

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